10 de set de 2014

Exterminadora - Continuação - Parte 2

Bom galerinha... para quem estava curioso, estou postando a segunda parte do conto que criei.
Para quem não leu, a primeira parte se encontra aqui.
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De manhã bem cedinho, eu já estava de pé. Coloquei na minha mochila a minha melhor arma à distância, alguns sanduíches caso sentisse fome, uma garrafinha de água e o meu binóculo.
Quando eu estava saindo, dei de cara com Mary que me olha assustada e diz:
__ Aonde você pensa que vai nesses trajes a essa hora amiga? – Ela riu – A uma missão impossível?
Eu não estava vestindo assim tão mal, estava com uma blusa preta de alcinha, calças compridas jeans preta, botas de galocha e uma mochila.
__ Vou dar uma caminhada. – respondi
__ Se quiser esperar eu me arrumar, eu vou com você.
__ Não precisa, quero ir cedo para voltar cedo. Não se preocupe, estou com sanduíches e água caso precise.
E sai daquela fazenda.
Fui caminhado a longos passos até a fazenda dos Stuart. Era 6 da manhã, provavelmente eu teria que esperar até eles acordarem
É vampiros dorme, mas não como naquelas historias que eles dormem de dia e a noite não. Vampiros dormem a qualquer hora, só que diferente de nós que precisamos no mínimo 6h de sono, eles precisam apenas de 3h. E geralmente eles aproveitam as primeiras horas da manha para recompensar o sono, tipo 5h e 4h da manha.
Entrei na fazenda, me escondi entre as árvores próximas da casa, mas a uma distancia favorável a mim.
A todo instante olhava para ver se algum vampiro me encontrasse, e fiquei vigiando boa parte do tempo a casa pelo o meu binóculo. Até que um dado instante vejo Henry saindo da casa, miro a minha arma na direção dele e quando eu ia atirar ouço uma voz atrás de mim:
__ Eu não faria isso se fosse você.
Olhei e vi que era um vampiro. Especificamente um membro da família Stuart, era o pai de Henry e Jeff.
Fiquei sem reação por alguns instantes e enfim disse a ele:
__ Entre na fila que já vai chegar a sua vez.
Voltei-me na mira de Henry e ouvi novamente a mesma voz, só que dessa vez o vampiro entrou na frente da arma.
Eu disse:
__ Se você insiste em ser o primeiro, tudo bem.
Ele me respondeu:
__ E você acha que com esse seu brinquedinho vai matar algum de nós, está errada.
Dessa vez eu reparei no seu tom ameaçador, levantei-me, e olhei firme para ele:
__ Sou uma exterminadora, e sim eu não penso, eu tenho certeza. Já matei muitos vampiros com isso que você chama de brinquedinho.
__ Mas não um como eu.
__ E o que você tem de tão especial do que nos outros vampiros.
__ Eu não estou sozinho.
__ E realmente não está, temos uma família – Uma voz feminina disse atrás de mim.
Virei e dei de cara com a mãe. A patroa da família.
Comecei a temer, eu estava muito próxima de dois vampiros, e com certeza os outros apareceriam em breve. A mulher então, disse num tom de confiança:
__ Minha querida, eu me chamo Lara e esse é meu marido Draco. Você é... Hum... Suzana.
Respondi:
__ Isso, mas como você sabia do meu nome?
__Henry me falou de você. Você esteve na festa também, eu me lembro do seu rosto na festa.
Jeff então aparece e diz:
__ Ora, ora, então você é uma exterminadora. Bem que eu desconfiei, vamos acabar com ela. 3 contra 1 vai ser fácil.
Jeff mostrou os dentes, Draco o mesmo, Lara entrou na frente deles e disse:
__ Deixa disso, ela não passa de uma menina assustada, vamos deixá-la ir.
Eu disse:
__ Não estou com medo, e não vou sair daqui até matar vocês. É o meu dever.
Lara me respondeu:
__ Se você pensar no seu dom como dever, infelizmente vou ter que concordar com o meu filho Jeff. Mas nós não somos o tipo de vampiros que você provavelmente está acostumada.
Ironizei:
__ É mesmo? E que tipo de vampiros vocês são? O do lado do bem por acaso?
Ela respondeu:
__ Sim, não matamos pessoas. Colhemos sangue de postos de saúde. Sangue que foram doados.
Eu ri:
__ Isso a faz uma vampira do mal. Vocês estão tirando a oportunidade de outras pessoas sobreviverem com esse sangue.
Ela respondeu:
__ Pode ser que você esteja certa, mas ao menos não assassinamos ninguém. E se você pensar bem, nós somos 3 e você é só uma, se nos desafia-mos infelizmente você irá perder.
__ Será mesmo? – perguntei.
Eu sabia que ela estava certa, com certeza eu iria perder, mas eu nunca iria me dar ao luxo de parecer fraca na frente desses seres.
Lara disse:
__ É sua última chance: ou você vai embora e não tente ameaçar nenhum de nós, ou você fica e morre. Você está em desvantagem.
Draco disse:
__ Essa garota já arrumou problema demais, vamos matá-la.
Lara disse ao Draco:
__ Espere benzinho, espere a resposta dela.
Eu estava indecisa, nunca perdi antes para um vampiro, mas Lara estava certa, com certeza se eu continuasse aqui iria morrer. Acho melhor eu ir embora mesmo, ou voltar numa outra hora, se eu encontrar mais um exterminador como eu, talvez conseguisse a vantagem. Mas agora era melhor eu ir. Então respondi:
__ Vou deixá-los em paz, não vou mais tentar matar vocês.
Draco ainda duvidando da minha resposta disse:
__ Você terá que ir embora daqui, só assim teremos certeza.
Eu não queria estragar meu verão indo embora daqui, afinal, Ilha Grande era o paraíso, mas eu não tinha escolha, então disse:
__ Está bem, vou-me embora daqui.
Draco, Lara e Jeff abriram espaço para mim, e quando eu estava saindo, ainda pude ouvir Jeff dizendo entre dentes:
__ Irei matá-la, vou chupar todo o seu sangue.

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Sai daquela fazendo o mais rápido que pude, e quando cheguei à estrada, comecei a correr. O mais rápido possível eu teria que ir embora. Tinha que me esquecer tudo o que aconteceu aqui, tudo, inclusive Henry. Porque eu não atirei logo nele? Porque simplesmente não ignorei o que Draco dissera. Eu já sei o porquê, porque o amo, mas eu não posso amar alguém que pode me matar. Simplesmente não posso. E quanto ao Draco, porque ele me olhou daquele jeito, parecia que ele me conhecia de algum lugar. Mas da onde? E Lara? Porque ela foi tão generosa comigo me deixando ir embora? Será que é verdade sobre o que ela disse?
Cheguei ao sitio pensando sobre tudo o que me aconteceu até agora, entrei apressada na casa e rapidamente me direcionei para o meu quarto, achei a minha mala vazia e comecei a enchê-la rapidamente. Ignorei os olhares curiosos de Mary e Beatriz. Até que Beatriz pergunta:
__ O que você está fazendo Suzana?
Eu ignorei-a e continuei jogando minhas coisas na mala. Beatriz dessa vez falou mais alto:
__ O que houve? Porque está fazendo a mala?
Retruquei:
__ Não lhe parece óbvio? Eu vou embora.
Mary, com raiva me pergunta:
__ Como? Esqueceu que você precisa de um barco para chegar do outro lado da Ilha?
Respondi:
__ Não importa, eu vou a pé.
Beatriz diz:
__ Vai levar horas.
__ Não importa, eu preciso ir embora – respondi colocando minha última peça na mala.
Quando estava me dirigindo para a porta, Mary entra na minha frente e diz:
__ Não vai não, primeiro você vai ter que explicar direitinho o que está acontecendo.
Sabia que seria inútil eu tentar inventar algo, até porque do jeito que eu estava com certeza iria me enrolar toda. Então achei melhor dizer parte da verdade:
__ Preciso ir, corro perigo se continuar aqui. Agora por favor, me dê licença.
Beatriz curiosa e confusa ao mesmo tempo me pergunta:
__ Perigo de que? O que aconteceu?
Eu disse:
__ Se eu continuar aqui eu vou ser morta. Vocês por acaso querem me ver morrer?
Mary puxou o meu braço, me levou a sala, me fez sentar e disse:
__ Se você corre esse risco, nós também corremos. Nós viemos juntas. Se alguém quer lhe matar, provavelmente procurará por nós primeiro.
Eu não tinha pensado nisso, isso era a verdade, Mary estava certa, eu não podia ir embora e deixar elas. Então disse:
__ Você está certa, eu não tinha pensado nisso. Vocês precisam ir comigo.
Ao que Mary respondeu:
__ Nós não vamos ao lugar nenhum se você não nos explicar o que está acontecendo. Não vamos estragar nossas férias por suas loucuras.
Dei de ombros, Mary era irredutível, era impossível eu convencer ela ir vir comigo. Beatriz o mesmo, ela só viria se Mary fosse também. Não tinha outro jeito, há não ser eu contar a verdade. Pela primeira vez na minha vida eu iria compartilhar um segredo importantíssimo com alguém, e esse dia era hoje, era agora, comecei:
__ Mary, Beatriz, o que eu vou dizer a vocês é a absoluta verdade, uma verdade que pode ser que vocês não acreditem, mas eu dou a minha vida do que eu vou falar é verdade. Eu... Eu... Sou... Uma exterminadora de vampiros.
Beatriz pôs a rir, Mary me olhou como se dissesse: “Você está de sacanagem comigo”. Eu ignorei as duas e continuei:
__ 7% das pessoas nascem com esse dom que eu tenho e 7% das outras pessoas são vampiros, embora que esse número tem aumentado cada vez mais. O resto da população são seres normais. As pessoas que tem o dom que eu tenho, muitas vezes guardem esse segredo por toda vida, até porque, quem iria acreditar nisso? Nós conseguimos diferenciar um vampiro de um ser humano, mas nada. Enquanto eles não conseguem diferenciar um humano de um exterminador...
Calei-me quando percebi que Mary e Beatriz me olhavam incrédulas. E Mary disse:
__ Isso tudo é muito estranho, mas explica-se.
Continuei:
__ Os exterminadores nascem com esse dom e a missão deles é acabar com vampiros antes que eles acabem com nós. Nós somos humanos também, a diferença é que temos essa habilidade. Um exterminador só é exterminador com herança de genes, então sempre há alguém que possa ensinar-los a se defender. Meu pai era exterminador, e eu não tive a chance de aprender com ele porque ele morreu antes por um vampiro. Quem me explicou foi meu tio, desde então eu treino e caço vampiros...
Contei tudo a elas e finalizei dizendo:
__ Jeff, Henry, Lara e Draco são vampiros e eles estão atrás de mim, pois tentei matar um deles, especificamente tentei matar Henry.
Beatriz disse:
__ Então porque Jeff me recusou, e recusou também de passar a noite comigo se ele é um vampiro e eu uma humana.
Dei um sorriso torto e disse:
__ E fui a aquela festa para protegê-la, e eu disse a Henry que com certeza contou a Jeff que você era diabética e tinha AIDS.
Beatriz me olhou horrorizada e perguntou:
__ porque disse essas coisas a ele?
Respondi:
__ Porque sei que vampiros não gostam de sangue ruim. E até que deu certo, ele se afastou de você.
Mary caiu na gargalhada, Beatriz me olhava com raiva, e disse novamente:
__ E porque você não se afastou de Henry?
Ai, essa me pegou, eu não sabia o que dizer, então Mary percebendo o meu olhar respondeu por mim:
__ Parece que Suzana se apaixonou por um vampiro.
Assenti com a cabeça.
Eu sabia que era verdade, não tinha como eu negar isso, mesmo se quisesse.
E logo em seguida eu disse:
__ Entende porque precisamos ir?
Beatriz respondeu:
__ Entendo, mas o barco para o outro lado da Ilha só sai amanha de manha.
Mary me olhou e finalmente disse:
__ Você não pode ir Suzana.
__ Por que não? – perguntei
Mary foi até a bolsa, pegou uma carta e me entregou dizendo:
__ Encontrei na sua antiga casa essa carta, você tinha 8 anos na época e eu 10. Sempre fomos amigas, lembra?
No envelope da carta estava escrito:
“ Para minha filha Suzana, do seu pai e de sua mãe.”
Olhei assustada e perguntei:
__ Por que não me entregou antes?
Ela disse:
__ Porque eu estava cansada de vê-la triste pensando nos seus pais, sempre quando eu ia ao internato eu a via triste. Queria apagar a memória deles, e se você reparar, essa carta foi escrita uns 2 dias antes da morte deles. Não queria fazer com que você ficasse pior, mas agora em vista da situação, pode ser que tenha algo importante ai.
Peguei a carta e li:
“Querida filha, hoje decidi escrever essa carta a você. Sua mãe concordou em eu escrevê-la. Provavelmente você só irá encontrar essa carta quando já tiver grande e provavelmente não nos terá por perto para explicar-lhe certas coisas que acontecem com você. Não quero que pense que a abandonamos, nunca fizemos isso, e nunca pense que nós não te amamos.
A minha família tem um gene que se passa por gerações, esse gene nos permite em ser diferente de uma certa forma. Já a família da sua mãe não tem esse gene, por isso temos dúvidas se você herdou ou não o meu dom. Mas com certeza se você tiver, saberá do que eu estou falando, meu irmão provavelmente irá explicá-la.
Filha, sua mãe é cientista e advinha o que ela tanto pesquisou nos últimos anos? Uma cura, uma cura contra o vampirismo, sua mãe tem um coração de ouro. Ela queria ver os vampiros se transformarem em seres humanos normais. E advinha, ela quase conseguiu essa proeza. Enquanto ela pesquisava eu caçava vampiros, sua mãe sempre temeu essa minha atitude e com certeza temerá por você se você possuir esse dom.
Filha, os nossos dias estão próximos do fim. Não os seus, pois fizemos o impossível para protegê-la, inclusive mudamos o seu sobrenome, colocamos o sobrenome de solteira da sua mãe. Acontece filha, que existe um vampiro muito poderoso, e ele descobriu o que sua mãe e eu fazemos, agora ele está atrás de nós e com certeza irá conseguir nos alcançar. Esse vampiro se chama Draco Stuart, mas não quero que pense em vingança, nunca! Não quero que você corra os mesmos riscos que eu corri, a não ser que realmente vale à pena. Mas não pense que valer é vingança. Valer a pena para a sua vida, se algo mude sua vida e para melhor. Eu poderia não dizer o nome, mas a sua mãe preferiu, pois caso se encontre com ele um dia, se afasta. Não saberemos se ele vai continuar o mesmo vampiro que foi até que esse dia acontecer, mas peço, por favor, se afasta.
Amamos-te muito minha filha, e sempre, onde estiver-mos estaremos observando seus passos.
Sua mãe é uma esposa maravilhosa, ela quis casar comigo mesmo sabendo que eu era um exterminador e poderia arruinar sua vida toda. Sua mãe te ama muito, assim como eu. Filha faça valer a pena a sua vida, seja ela com dom ou sem dom.
Nós te amamos
Do seu pai e da sua mãe.”

Quando acabei de ler eu derramava lágrimas, então perguntei a Mary:
__ Você algum dia chegou a ler essa carta?
Ela respondeu:
__ Claro que não, essa carta era dirigida a você.
Eu continuei:
__ Nessa carta, meus pais diz que sabiam que iriam morrer e nela diz também o nome do vampiro que estava atrás deles.
Beatriz pergunta:
__ Quem é?
Eu respondo:
__ Draco, que grande coincidência né?
Elas assentiram e Mary pergunta:
__ O que você vai fazer?
__ Eu não sei – respondi – Meus pais a todo o momento pede para não me vingar. – disse ainda chorando – Precisamos sair daqui ainda hoje. Mesmo que atravessamos a ilha a pé.
Mary faz uma careta e diz:
__ Eu não posso fazer isso Suzana, eu vim para cá para tirar férias, descansar e ter uma gravidez tranqüila.
Eu e Beatriz a olhamos estupefatas e eu pergunto:
__ Como assim? Quem é o pai dessa criança?
Ela responde:
__ Cláudio, nós vamos nos casar quando eu voltar. Ele teve que ir para Minas Gerais a trabalho e eu aproveitei e chamei vocês para virem comigo para cá.
Eu estava congelada, o que faríamos então? Esperar mais um dia? Não podemos, mas também não posso fazer com que Mary perca a criança. Beatriz então disse:
__ Já que vamos ter que ficar por aqui, haverá um baile de gala no sitio em frente. Eles nos chamaram, podemos então aproveitar o ultimo dia.
Eu respondi:
__ É pode ser, mas aonde arrumaremos roupas formais?
Mary então disse:
__ Tem roupas formais no sótão, é meio que antiquadas, mas vai ficar legal se arrumamos.

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CONTINUA...

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