26 de mar de 2018

Resenha: Proibido

Título: Proibido
Autora: Tabitha Suzuma
Número de Páginas: 304
Nota (0 a 5): 5

Vamos à Resenha? SIM! 

Por favor, LEIAM até o final antes de qualquer julgamento.

Confesso que estava em dúvida em ler esse livro. Melhor dizendo, eu não queria ler esse livro. Tudo isso, por simples preconceito e medo de que ele pudesse dar gatilhos emocionais, ou até mesmo, me fazer me sentir mal, perturbada. Enfim... Tudo estava contra a leitura desse livro. 

Mas então, por que ainda assim, eu li?

Porque eu gosto de ser desafiada! E fui desafiada em um Clube de Leituras Online. O mesmo clube que nos deu duas semanas para ler e finalmente debatermos (ainda não houve o debate). Comecei a ler no final da primeira semana, e li o livro inteiro em três dias.

É extremamente delicado falar sobre o tema desse livro, e a primeira coisa que você sabe do que se trata a história, quando lê a sinopse, é de dois irmãos apaixonados um pelo outro. Isso mesmo, o incesto. Algo condenado moralmente na maioria das países, isso, quando também não é condenado como crime. Um ato ilegal. E infelizmente, onde Lochan e Maya moram, ainda é um crime.

Não estou aqui para defender o incesto, ainda o acho repugnante, na maioria das vezes, entretanto, no livro Proibido, a autora conseguiu me mostrar que nada é no preto e no branco, principalmente quando o assunto é sentimentos. Tudo depende das circunstancias, e de todos os fatores que fizeram com que aquele sentimento nascesse e crescesse. Pode parecer absurdo, eu sei, porém, eu consegui entender o amor desses personagens, de como eles sempre se viam como amigos e parceiros, de como eles, conseguiram manter o lar firme após o abandono dos pais. Criando juntos, seus três irmãos caçulas.

Lochan tem dezessete anos, quase dezoito, e a diferença de idade entre ele e Maya, são de treze meses. Aos doze anos, seu pai abandonou a família e se mudou do país, perdendo qualquer contato com os filhos. A mãe, transformou-se em uma alcoólatra e saía todas as noites com o namorado, isso, quando ainda permanecia em casa, pois com o tempo, ela passou a cada vez menos a se importar com os filhos. Maya e Lochan tinha que ser verdadeiros pais dos caçulas, alimentando-os, banhando-os, levando e trazendo da escola, ajudando nos deveres de casa, brincando com eles, e ainda, terminarem os seus estudos. Manter a casa estruturada, os irmãos saudáveis e felizes e lutarem diariamente para que o conselho tutelar não descubra a real situação deles, para que não os separem.

Lochan, por ser o mais velho, carrega toda a culpa e o peso dessa situação nas costas. Ele é o "líder" da família e tem que arcar com todas as responsabilidades. Entretanto, além disso, ele também sofre. Ele tem pânico em lidar com outras pessoas, pessoas essas, que não são da família. Isso, faz com que ele seja um jovem solitário e depressivo. Maya é a sua âncora, melhor amiga e a única pessoa da mesma idade em que ele pode ser ele mesmo, a única em que ele pode desabafar e contar. Eles, desde pequenos, sempre foram unidos, e após as negligencias dos pais, assumiram juntos, a ordem da casa. Lochan apesar de seus medos, é um jovem doce e meigo, sempre disposto a sacrificar tudo para proteger quem ama. 

Maya, diferente de Lochan, é descontraída, divertida e comunicativa. Sempre rodeada de pessoas, apesar de ser apenas uma fachada. Ela, sente os mesmos pesos que Lochan sente. Ela, vê em Lochan o seu farol e se guia por ele, sendo capaz de suportar tudo para o ter ao seu lado. Ela, admira a sua dedicação incansável de ele manter a família unida. Ela, nunca soube como seria viver sem a proteção e o cuidado de Lochan.

Uma das coisas que me fez pensar muito nesse livro é que Proibido, não mostra os protagonistas aceitando tranquilamente a situação, o amor que eles sentem um pelo outro, maior que o amor de irmãos. Eles negam, tentam se afastar, porém, nada disso faz aplacar o sentimento deles. Maya, inclusive, tenta se imaginar com seu outro irmão, o Kit, e sente repulsa, indignação, algo que ela deveria sentir também com Lochan, mas não sente. Eles sabem que é errado, imoral e criminoso, e isso, faz com que muitas das vezes, sentem nojo de si próprio. Isso, realça que a autora quis nos mostrar que o sentimento nascido entre eles não foi por causa de uma disfunção, mas por outros motivos, mais naturais... A cada capítulo, nós vemos como cada um pensa e sente, e confesso, que muitas das vezes me vi torcendo por eles, algo, que normalmente, eu julgaria como repugnante e imoral.

Proibido não é um livro para qualquer um, apesar de eu achar que TODOS deveriam ao menos, tentar ler. É um livro dramático e difícil de digerir. Não houve uma única cena em que não fosse intensa. Existia tanta dor naquela família que me peguei, muitas vezes, chorando e sentindo as mesmas emoções e sensações que os personagens. 

Quando terminei a leitura, me senti como se o chão tivesse me engolido, não sabia o que pensar... É um livro que mexe muito com a gente, faz uma salada mista em tudo que você acredita. É um livro de sentimentos, que nos muda, que nos faz ver além da nossa caixa... E o mais interessante de tudo é que em nenhum momento, a autora falou que o incesto é algo certo, ela apenas nos mostra o quanto julgamos as pessoas, e como o amor verdadeiro deve ser algo simples, apenas sentido. Em como, o verdadeiro amor, exige sacrifícios... 

Alguns trechos do livro:

"No fim das contas, o que importa mesmo é o quanto você pode suportar, o quanto pode resistir. Juntos, não fazemos mal a ninguém; separados, nós definhamos."

"O sentimento estava lá havia anos, era apenas uma questão de tempo até romper nossa frágil teia de negação, nos obrigando a enfrentar a verdade e reconhecer quem somos: duas pessoas que se amam - um amor que ninguém mais poderia compreender."

"Mas então por que é tão terrível para mim estar com a garota que eu amo? Todos os outros têm permissão para ficar com quem quiserem, expressar seu amor se quiserem, sem medo de assédio, ostracismo, perseguição ou até mesmo da lei. Mesmo emocionalmente abusivas, as relações adúlteras são muitas vezes toleradas, apesar do dano que causam aos outros. Em nossa sociedade, progressiva e permissiva, todos esses tipos nocivos e insalubres de 'amor' são permitidos - mas não o nosso. Não consigo pensar em nenhum outro tipo de amor que seja tão completamente rejeitado, mesmo que o nosso seja tão profundo, apaixonado, carinhoso e forte que nos obrigar a nos separar nos causaria uma dor inimaginável. Nós estamos sendo punidos pelo mundo por apenas uma razão simples: por termos sido produzidos pela mesma mulher."

2 comentários:

  1. Amei a resenha, Aline.😊😊
    Esse livro realmente é para nos tirar do nosso mundinhi fechado de achar que tudo é preto no branco.
    Sofri muito com a situação deles, com as condições que eles viviam por irresponsabilidade da mãe, e olha que ódio da mãe deles.😤😤
    E esse pai que simplesmente some no mundo!
    Mas o erro era eles se amarem, e não os pais serem irresponsáveis.
    .
    Isso me fez pensar em outras pessoas que são julgadas e perdem a vida pq alguém diz que a vida dele é um erro.
    .
    Cada um tem suas crenças e seus princípios, mas lendo esse livro me peguei pensando em até que ponti aquilo que acredito pode interferir na vida de outra pessoa.
    .
    Todos deveriam ler!!

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    Respostas
    1. Uau!! Você conseguiu colocar em palavras tudo que senti em apenas um parágrafo! Rsrsrs
      Meu maior ódio foi a reação da mãe no final... A negligência dela! Aiiiiiiiii!!! Fiquei muiiitoo irritada!

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CantinhodaAmiga

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